Origem Histórica

O Coronel PM Francisco Batista Torres de Melo, cultivava diversos atributos militares, dentre eles destacava-se a preocupação de estar em constante contato com a tropa, tanto para orientar a execução da obra que desejava quanto para prestigiar o trabalho dos executores. A forma mais eficaz encontrada é justamente as visitas de inspeção, as quais o Comandante Torres de Melo fazia semanalmente às Unidades e Destacamentos do Interior. Numa de suas passagens pela cidade de Oeiras – PI, sentiu que havia necessidade da criação de um Batalhão naquela área, pois as zonas de segurança, que até então eram de responsabilidades do 2º BPM, com sede em Floriano – PI, eram de vasta extensão, e tal fato dificultava a assistência tanto da subunidades quanto dos destacamentos, além do que a distâncias entre as cidades do sul do Estado somavam mais uma parcela de problemas.

De acordo com o artigo 11, da Lei nº 2.534, de 09 de dezembro de 1963, a 4ª Companhia Policial Militar, estava subordinada ao 2º Batalhão, e tinha sede na cidade de Picos. A grande extensão da área de atuação do Batalhão, comandado pelo então Major PM José Clementes de Flores, foi sensivelmente observada pelo Comandante Geral Coronel Torres de Melo, que sugeriu a criação de mais uma Unidade que pudesse dividir com o Batalhão de Floriano – PI as responsabilidades inerentes à manutenção da segurança pública no sul do Estado. De acordo com o artigo 8º, da Lei nº 2.778, de 16 de dezembro de 1966, a 4ª Companhia, ou mais conhecida na época como CP-4, tinha como sede a cidade de Picos, então logo após ter sido exposta a idéia, o Major Flores, sugeriu que a sede da CP-4, fosse transferida de Picos para Oeiras – PI, e que por razões de conveniências estratégicas, a sede do Batalhão permanecesse em Picos.

Ao chegar em Teresina – PI, o Estado Maior foi convocado pelo Comandante da Corporação, a fim de ser discutida a idéia, que teve aprovação geral e que dois dias mais tarde estaria sendo apresentada ao Governador do Estado, o Dr. Helvídio Nunes de Barros. Depois de aprovada a idéia, o governador questionou a respeito do que seria necessário, no que o Comandante que em primeiro lugar o Decreto de criação do Batalhão, a seguir as plantas do quartel e de uma vila para os praças. No dia 12 de janeiro de 1967, através do Decreto nº 730, assinado pelo governador e seu secretário de governo, Dr. Manfredi Mendes Cerqueira, foi criado o 3º Batalhão de Polícia Militar, com sede na cidade de Picos, constituído de duas companhias localizadas, respectivamente na cidade de Valença do Piauí e Oeiras, cujo orçamento previsto para a construção era de 60 milhões de cruzeiros, na época. metade da verba foi dada pelo governo e a outra parte ficou por conta das economias administrativas da Corporação.

Após ser solucionado o problema das verbas surge uma outra questão, o comandante da 4ª Companhia que iria se deslocar para a cidade de Oeiras, o Capitão Raimundo Camelo de Vasconcelos, preenchia todos os requisitos e poderia acionar a construção e instalar o Batalhão, haja vista ter ele conseguido manter a CP-4 em ordem e ter construído a Penitenciária, senão fosse um detalhe de suma importância, é que o Capitão Camelo iria fazer o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais – CAO, na Academia de Polícia Militar General Edgar Facó, na cidade de Fortaleza – CE. surge então a figura do então Capitão Juracy Barbosa Marques.

A cogitação de seu nome surgiu em face do apoio dado ao Coronel Torres de Melo, na implantação de outra subunidade no sul do Estado, contudo, o Capitão Juracy estava exercendo a função de Ajudante de Ordem do Governador. Consciente da futura missão, faltava apenas a liberação por parte do Governador, que em princípio relutou, terminando por aceitar ao considerar também que o trabalho seria desenvolvido em sua terra natal. Ao chegar em Picos, o Comandante Geral e o Capitão Juracy encontraram um impasse em razão de que o dono do terreno no qual o Batalhão seria construído, nao estava mais aceitando o negócio. O Coronel Torres de Melo em companhia dos Capitães Juracy e Camelo seguem ao encontro do Prefeito de Picos, naquela ocasião o Dr. Oscar Eulálio, e depois de uma rápida e hábil conversa, conseguiram contornar a situação, a compra do terreno foi acertada pela quantia de 30 milhões de cruzeiros antigos.

As obras são iniciadas imediatamente, pois segundo o decreto, o tempo disponível para a construção e instalação do aquartelamento era de sessenta dias. Expirado o prazo em oito dias, se deu por concluído o Quartel, a casa do comandante e uma vila com 16 casas. Para a inauguração das obras foi escolhido o dia 14 de maio, no dia 10 de maio, o Comandante Geral Coronel Torres de Melo, deslocou-se para Picos a fim de planejar com detalhes a solenidade de inauguração. Em frente ao Quartel ficou uma área destinada a um jardim, Torres de Melo sentiu que tanto o Governador Helvídio Nunes como a sociedade picoense, estavam empolgados com a construção da obra, e a sua significação para aquela cidade. Determinou então o preparo imediato do “Jardim com Bancos”. Disse ele, para determinadas pessoas, que desejava que a própria sociedade doasse os referidos bancos. Não demorou muito, chegaram os bancos doados por um grupo da sociedade e próprio Governador do Estado. Dois dias antes da inauguração, uma comissão composta das senhoras Maria do Socorro Torres de Melo, esposa do Comandante Torres de Melo; Antonia Barbosa Marques Lopes, esposa do Cel Raimundo Nonato Lopes, subcomandante; Ivanilda da Silva Marques, esposa do Cap Juracy, Comandante do Batalhão e algumas representantes da comunidade local, entre elas, a senhora Olívia da Silva Rufino, esposa do Sub Ten Benjamin Pires Borges, um dos mestres de obra da construção do 4º BPM e a senhora Remédio Maia, professora, sob a presidência da primeira, conseguiram as plantas e elas mesmas plantaram todos os canteiros do jardim. O quartel ficou logo florido. Todos da sociedade faziam questão de colaborar, fosse no que fosse.

No domingo, na hora e local marcado, a tropa se postou em forma diante de praticamente toda a população picoense, que se aglomerava para assistir a inauguração solene do Batalhão. Com a chegada do Governador e família, foi dado início a solenidade, com o hasteamento do Pavilhão Nacional, ao som do Hino Nacional, executado pela Banda de Músicos da Polícia Militar, então sob o comando e regência do Capitão Luiz José dos Santos. Desta maneira foi criado o quartel de Picos, que encontra tal qual, sentinela avançada e vigilante na manutenção da Ordem Pública na macro-região de Picos.